caldo de tipos

...só um blog !!

9.11.09

As Asas do trem de ferro

Venho desenvolvendo um antigo projeto de escrever uma história com mais fôlego! Cheguei a oitenta páginas e algumas dúvidas. Resolvi, então, partilhar esta experiência com os amigos blogueiros, porque é deles, afinal, que espero a opinião sincera sobre a qualidade do texto.
Como penso que é um projeto que não casa com o espírito deste blog e que acabaria numa antropofagia, resolvi dar publicidade ao "As Asas do Trem de Ferro" em blog próprio, desta forma, conseguirei dar mais atenção ao "Caldo de Tipos", que, afinal, estará no próximo dia 28 completando três anos, tendo sido visitado, nos últimos vinte e quatro meses por (confiando-se nos contadores de visitas), 24.488 pessoas, o que acaba dando uma média de mil visitas por mês, números que, particularmente, considero ótimos.
Tenho, ainda, um outro projeto, este mais ousado ainda, que é desenvolver uma espécie de realidade com ficção, traçando um paralelo com os tempos de ditadura no Brasil, da vida (esta sim uma história de fôlego) do meu amigo blogueiro, Pedro Aires. Como estou na fase do projeto, ainda não enviei, a ele, a forma como pretendo me apoderar de suas belíssimas memórias e, é claro, levar adiante se obtiver o seu aval.

Por tudo, solicito aos amigos uma visita ao http://www.umdiaotremvoa.blogspot.com/ , onde manterei a média de uma publicação a cada cinco dias e, aguardarei a opinião sincera sobre o andamento do texto, sua qualidade, falhas, etc..., reitero a necessidade de postar-se a opinião crua, porque não queremos aumentar a estatística de sub literatura, afinal de textos fracos as livrarias já estão cheias!!

15.10.09

Chega!

De dizer sempre sim

de sorrir e esperar

de dizer obrigado

de esperar ser beijado

de sonhar com teu corpo

de imaginar o futuro.

Enfastiei,

chateei-me,

vou passar a qualquer hora

derrubar a porta e o portão

agarrar-te pela cintura,

beijar,

todos os beijos sonhados,

despir-te,

sem recato ou parcimônia,

num só ato!

Quero teus seios

não mais no imaginário dos meus sonhos,

mas firmes, em minhas mãos.

Quero solta a tempestade,

que brota em meu coração,

e por volta da meia noite

quero estar embriagado,

de amor, aguardente e sexo,

para em alto e bom som

recitar poemas caducos,

eróticos, sensuais, pornográficos!

Nesta hora então,

vou gritar para o povo ouvir

palavras de baixo calão

vou enxotar os caretas, os padres

os moralistas, os ranhetas,

caiam fora os estetas

e seus modelos de história,

suas maquetes de vida,

firmadas no vazio das almas.

Vou rasgar os dicionários

e inventar novas palavras,

que também nada dirão,

que nunca demonstrarão

o prazer de possuírmo-nos!

A mente, o corpo, o sexo

a luz, a rua, o tempo

o deleite, o grito, o gozo

e por fim,

o gosto de nosso néctar

umedecendo o chão,

no olho do furacão!

E não haverá, nunca mais

segundos, minutos e horas

dias, meses ou anos

só nós,

o antes

o depois...

(postagem 243 – ouvindo Basta de clamares inocência, com Lia Sabugosa – bebendo Cachaça de Santo Antonio da Patrulha)

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4.10.09

ASTROS, URBE & AMOR

Tem um cantinho do céu
no lado escuro da lua
onde crio pequenas estrelas
coisa pouca,
nove ou dez,
não sei direito.
Algumas fogem e voltam,
outras vão e desaparecem,
correndo,
deixando um rastro de luz,
poeira luminosa e branca!
Todas as noites,
em horários diferentes,
só para surpreendê-las,
vou motejar com meu rebanho
chego quieto, devagar,
no ombro
um alforje de couro cru,
na mão direita
o sorriso dos meus filhos,
na esquerda
um cajado de pessegueiro.
Sento num canto qualquer
em alguma nuvem distraída
e retiro com cuidado,
da bolsa de couro surrada,
um pequeno livro, abradido,
e em voz baixa
para não acordar meus fantasmas
leio histórias
naturais e sobrenaturais,
lendas de fadas e reis,
dragões, princesas e ogros.
Aos poucos vão se acalmando
minhas pequenas estrelas
e, uma a uma,
adormecem.
Guardo,
então,
o saltério, em silêncio,
levanto meu corpo
ainda jovem e rijo
e pé ante pé
retorno
para o burburinho urbano
das sirenes e dos policiais.
Sento sobre o gramado
em posição de lótus,
padmasana,
e entoando um mantra sagrado
aguardo o nascer do sol.
Barulho de pratos, xícaras e talheres
vindo da velha cozinha
denunciam, com o aroma
o café quentinho e forte
que Ana está preparando.
Sorrindo entro em casa,
começou um novo dia.
(Postagem 243, ouvindo Samba de Verão com Julie Philippe e bebendo Vinho Branco Santa Ana, argentino)

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1.10.09

.RELATIVO

Dentro de mim

corre um rio

escuro,

profundo

e bravio,

que não corre para o mar.

Procuro em você

o meu eu,

para, egoísta,

que sou,

decifrar-me

e depois,

com todo o prazer,

devorar-te,

enfim.

Entre suspiros,

carícias e líquidos,

feito temporal

despeja lava,

o revolto rio,

em seu corpo terra

onde,

entre retalhos de amores

passados

desenho, milimetricamente

o mosaico

de nossa futura afeição.

Reta inexistente

em nosso curvo universo

paralelo.

Entre teu peito

e minha alma,

uma geodésica nos une,

segue o rio,

pelos finos sulcos

dos arrepios da pele.

(postagem 242 – ouvindo Djavan – “Oceano” – bebendo Pisco Peruano)

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12.9.09

................OURO

Entre o espaço milionésimo

das notas musicais

faz-se o silêncio

e da distância perfeita

entre uma e outra

surge a musica

entre o espaço milionésimo

do diafragma e a voz

surge a canção

do silêncio

antecipando a primavera

surge do Ypê

a amarela flor

do fim de inverno

ainda faz frio

no hemisfério sul

mas os Ypês

desrespeitando

os calendários oficiais

despertaram

em roxo e amarelo

as avenidas

ainda silentes

das aldeias

cidades e capitais,

dormem as crianças

dorme a amada

entre o espaço milionésimo

da batida da faca na tábua

ao cortar a cebola

as ervas e os temperos

o sabor invade a casa

antecipando o almoço.

lá fora

um sol tímido

iluminando o verde da grama,

torna, até possível,

imaginar a paz...

(postagem 241 – ouvindo Imagine – John Lennon – bebendo suco de laranja)

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27.8.09

Campanha Não Homofobia

25.8.09

ENSAIOS IV

Não queria de teu amor
respingos de indiferença,
nada que formasse sentença
ou se transmutasse em dor
.
deste banquete findo
não cobicei tua simples penumbra
mas a intensa luz rubra
de tua boca sorrindo
.
longe a pintura embotada
do cálido e tíbio entardecer,
que na vida me fez padecer
convertendo o pleno em nada.
.
deixei os sorrisos de desdém
para os inermes, na relva
audacioso, transformei a urbe em selva
calei o fogo da alma, feito ninguém
.
imaginando outra biografia,
peregrino, desfiz os brilhantes falsos,
do rosário, onde aos percalços
fingias rebuscada fidalguia
.
do amor riscado em versos
desenganado, fiz comércio barato
comédia singela, em um só ato
para loucos e dementes diversos
.
os insanos, em poetas disfarçados
anteviram a cada metáfora inventada,
desconstruída e em rima pobre cantada,
muito mais que amores forçados
.
mas, tudo de nada adianta
de teu amor descartável, não resta
nem o beijo, a boca ou a festa
em ti, nada mais me encanta!
.
hoje, minha boca se alimenta
de outro carmim encarnado,
perdeste este jogo encantado
do nada, um straight flush, se inventa!
.
no rosto, nem remorso nem amém
nada de culpa ou falsa escusa,
conhecendo tua mente obtusa,
eternizei um sorriso de desdém!
.
(postagem 240 – ouvindo My Way – Frank Sinatra – bebendo Akvavit dinamarquesa)

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